O Brasil repete há décadas o discurso da inclusão, mas, na prática, o cenário é oposto: milhões de reais do dinheiro público são destinados anualmente para manter instituições separadas, como as APAEs. Essa contradição estrutural impede que o país avance rumo a um sistema universal e acessível.
Anualmente, uma enxurrada de recursos públicos flui para o caixa dessas instituições privadas e filantrópicas por meio de convênios, repasses federais e emendas parlamentares impositivas. Enquanto esse modelo paralelo recebe blindagem financeira constante, a escola pública do seu bairro agoniza: faltam mediadores, salas de aula não têm acessibilidade básica e professores não recebem formação para a educação inclusiva.
A bancada da separação: Preconteito fantasiado de assistência
Essa distorção orçamentária é ativamente defendida e alimentada por deputados e políticos de vertentes conservadoras. Sob o pretexto de prestar "assistência", parlamentares com visões capacitistas e preconceituosas protegem o modelo segregador para autopromoção política e para desobrigar o Estado de cumprir seu papel constitucional de universalização dos espaços. Ao blindar os repasses para os circuitos isolados, esses políticos atuam diretamente contra as diretrizes da Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
O resultado dessa política é um ciclo de dependência institucional. Em vez de adaptar a sociedade para que todos convivam nos mesmos espaços, o sistema — financiado pelo seu imposto e apadrinhado por discursos retrógrados — força a pessoa com deficiência a se adaptar a um circuito isolado.
Uma sociedade verdadeiramente democrática não deveria aceitar puxadinhos institucionais para garantir direitos básicos. Educação, saúde e cidadania devem estar disponíveis para todos, juntos.
O futuro deve ser a convivência plena e a escola pública universal, não a segregação permanente.

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