A sociedade ainda trata muitas pessoas com transtornos mentais como se
fossem incapazes de pensar, decidir ou participar da própria vida. Essa
prática, conhecida como infantilização, é uma das formas mais comuns de
capacitismo contra pessoas com deficiência psicossocial.
Infantilizar não significa apenas “tratar como criança”. Significa retirar
autonomia, desacreditar opiniões, controlar escolhas e reduzir a pessoa à
sua condição de saúde mental.
Muitas vezes isso acontece de forma disfarçada de proteção.
Frases como:
“Você não entende dessas coisas.”
“Estamos decidindo por você para o seu bem.”
“Ele não sabe o que quer.”
“Ela não tem condições de opinar.”
podem parecer cuidado, mas frequentemente funcionam como mecanismos de
controle social e familiar.
A pessoa passa a ser vista como alguém permanentemente incapaz, mesmo
quando consegue estudar, trabalhar, usar internet, manter relações
sociais, administrar dinheiro ou expressar suas próprias vontades.
Esse tipo de comportamento pode aparecer:
dentro da família;
em hospitais e serviços de saúde;
em processos judiciais;
em ambientes religiosos;
nas redes sociais;
e até em políticas públicas.
A infantilização também serve para silenciar denúncias e enfraquecer a
credibilidade da pessoa com transtorno mental. Quando alguém é
automaticamente tratado como “confuso”, “instável” ou “incapaz”, sua fala
perde valor diante da sociedade.
Isso abre espaço para abusos, exclusão financeira, isolamento e decisões
tomadas sem participação real da própria pessoa.
A Lei Brasileira de Inclusão reconhece que deficiência não elimina
direitos, cidadania nem dignidade. O modelo atual de direitos humanos
busca apoiar autonomia e participação social — não substituir
completamente a vontade da pessoa.
Ter um diagnóstico psiquiátrico não transforma alguém em criança.
Pessoas com transtornos mentais podem precisar de apoio em determinados
momentos, assim como qualquer ser humano pode precisar de ajuda em
situações difíceis. Apoio não deve significar apagamento da identidade, da
voz e da liberdade individual.
Combater a infantilização é combater o capacitismo.
É reconhecer que pessoas com sofrimento psíquico têm direito:
à própria voz;
à participação nas decisões sobre suas vidas;
ao respeito;
ao contraditório;
ao acesso à justiça;
e à existência plena dentro da sociedade.
Inclusão social verdadeira só existe quando a pessoa deixa de ser tratada
como objeto de tutela permanente e passa a ser reconhecida como sujeito de
direitos.
O Brasil repete há décadas o discurso da inclusão, mas, na prática, o cenário é oposto: milhões de reais do dinheiro público são destinados anualmente para manter instituições separadas, como as APAEs. Essa contradição estrutural impede que o país avance rumo a um sistema universal e acessível. Anualmente, uma enxurrada de recursos públicos flui para o caixa dessas instituições privadas e filantrópicas por meio de convênios, repasses federais e emendas parlamentares impositivas. Enquanto esse modelo paralelo recebe blindagem financeira constante, a escola pública do seu bairro agoniza: faltam mediadores, salas de aula não têm acessibilidade básica e professores não recebem formação para a educação inclusiva. A bancada da separação: Preconteito fantasiado de assistência Essa distorção orçamentária é ativamente defendida e alimentada por deputados e políticos de vertentes conservadoras. Sob o pretexto de prestar "assistência", parlamentares com visões capacitistas e prec...
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